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sexta-feira, 19 de junho de 2009

UMA HISTÓRIA VERÍDICA (desabafo de um jovem)

Esta história, verdadeira, é narrada pela própria pessoa em questão e que adotou o nome Null para poder conta-la sem sofrer represálias.

Colocarei o texto completo aqui, da forma como foi escrito originalmente.

Por motivos óbvios , os nomes serão preservados.



"Tudo começa com o resultado do vestibular: Uma pessoa vê o resultado e fica super feliz pois passou na 1ª chamada para Medicina Veterinária na USP (Universidade de São Paulo) em Pirassununga, na FZEA (Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos).

A pessoa se matricula no curso e após um certo período de tempo as aulas começam.

Os primeiros dias de aula deixam essa pessoa extremamente empolgada pois os professores entram na sala com um grande discurso de que este será o melhor ou um dos melhores cursos de veterinária do país, que houve investimento de mais de 15 milhões no curso de veterinária, que será construído um hospital veterinário que, segundo os professores, será o melhor da América Latina, que a universidade formará grandes veterinários e tudo mais.

Obviamente, o aluno fica super feliz e empolgado.

Tudo estava acontecendo bem demais para ser verdade, então, não demora muito para a pessoa começar a encontrar defeitos.

A princípio um ou outro comentário de professores, coisas simples mas que, sabia que era normal, pois, infelizmente, pela lei, ainda é competência do veterinário a inspeção sanitária, inspeção de produtos de origem animal, e coisas do tipo.


O primeiro choque vem quando, em uma disciplina chamada "introdução à medicina veterinária", é chamado para dar uma aula, um professor que já foi super respeitado por Null. Uma aula que deveria ser maravilhosa pois se tratava de eqüinos.

A aula começa, o professor fala coisas maravilhosas, frases que Null, que já admirava o professor, tinha certeza que falaria, porém em poucos minutos todo o respeito do aluno pelo professor vai embora.

Null não conseguiu engolir algumas coisas que o professo falou na aula, para Null era um absurdo, inaceitável.

O que deixou Null extremamente chocado é, o professor que, há poucos minutos começara a aula dizendo coisas maravilhosas do tipo, "Para entender cavalo é preciso viver cavalos" (Frase do Próprio professor A.G.) chegou em um ponto que comentou sobre o abate de cavalos.

Null tinha certeza que este ponto seria dito, uma vez que já sabia que o Brasil é um dos 5 maiores exportadores de carne de cavalo no mundo e coisa do tipo, mas o que nao suportou é a forma com que foi dito, especialmente uma parte, em que o professor A.G. disse: "O abate de cavalos é um setor que cresce bastante no Brasil, temos capacidade para expandir ainda mais, temos quantidade de cavalos suficiente para isso, é um setor em crescimento que está gerando muito dinheiro e que, definitivamente devemos investir nesse setor, é um setor que merece atenção e..."

Null não podia acreditar no que tinha ouvido, um professor, que chegou a ser extremamente respeitado por ele, incentivando o abate de cavalos, incentivando a matança de um ser que, para Null, é tudo.

O choque permanece.

Vão passando as aulas e, cada vez mais Null percebe que seu curso está totalmente voltado para a produção de alimentos (carne principalmente), começa a ser uma tortura assistir as aulas pois tudo o que os professores falavam era sobre como fazer uma vaca produzir 150kg a mais de carne ou de qualidade melhor, para piorar, não foram poucas as vezes que ouvia sobre carne de cavalo, abate de cavalos.

O sofrimento de Null ao assistir as aulas era imenso, cada vez que mencionavam cavalo, o coração saltava e descia um choro sem lágrimas pois sabia que alguma coisa ruim iam dizer, e não estava errado, os professores sempre incentivando a produção de carne, mesmo de cavalos.

Ignorando o fato disso permanecer, o sofrimento de Null não para aí.

Finalmete, depois de algum tempo tendo aula, sai a grade curricular do curso de Medicina Veterinária, e, junto com a grade, mais uma enorme decepção.

O curso era extremamente voltado para a produção animal e produção de alimentos e, então, percebe que sofreria muito nos 5 anos de curso pois teria que aguentar matérias:

- Fundamentos de Sociologia Rural (45h)
- Fundamentos de Economia do Agronegócio (30h)
- Gestão Ambiental e Sustentação de Agronegócio (45h)
- Fundamentos de Extensão Rural (45h)
- Produção animal I (90h)
- Produção animal II (90h)
- Gestão de Organização do Agronegócio (45h)
- Exterior e Julgamento de Bovinos e Equinos (30h)
- Defesa Sanitária (60h)
- Inspeção de Produtos de Origem Animal I (60h)
- Gestão da Qualidade de Alimentos (60h)
- Tecnologia de Produtos de Origem Animal (90h)
- Inspeção de Produtos de Origem Animal II (60h)
- Higiene e Segurança Alimentar (60h)
- Fundamentos de Empreendedorismo e Planejamento de Projetos (60h)
- Comércio Internacional de Alimenos e Biomassas (45h)
- Pecuária Orgânica (45h)


Para piorar, mesmo matérias que teóricamente seriam úteis para a área médica e que deveriam ser interessantes se tornam extressantes pois, por exemplo, em genética, o professor J.B. sempre dá exemplos sobre como fazer uma vaca produzir 150kg a mais de carne ou ter uma carne de melhor sabor ou coisa do tipo, o que destruiu mais matérias.

Como se não bastasse para Null saber que menos de 50% do curso era realmente voltado para a área médica, há um professor, C.E.A., que, desde o início, incomoda e faz Null praticamente sentir-se humilhado.

Null já começa a sofrer a partir do momento em que C.E.A. diz para os alunos que, tudo bem, início de curso, curso novo, o laboratório ainda não tem muitas peças, mas que os alunos não precisavam se preocupar pois já estava entrando em contato com o abatedouro de Araguarí - MG para comprar peças de cavalos, para o estudo de anatomia.

Null, que amava muito cavalos não podia suportar.

Null corre atrás de algumas coisas, e bom, o assunto parecia estar resolvido, pelo menos após Null conversar com algumas pessoas, lhe foi dito que a USP é uma entidade que presa a ética e que, é um absurdo uma coisa do tipo tendo em vista que muitos cavalos morrem em hospitais, hípicas, jóckeys, etc e que isso seria visto e tudo mais.

Aparentemente havia dado certo, pois pouco tempo depois, houve uma completa mudança de assunto, não era mais mencionado abate de cavalos pelos professores, C.E.A. passou a falar diferente, coisas que pareciam ter dado resultado.

Null então estava tranquilo, uma vez pelo menos obteve uma vitória.

A felicidade não durou muito, pouco tempo depois, outro professor, deu aula de equinos e, mais uma vez mencionou o abate de cavalos, e C.E.A. chocou Null ainda mais quando, "obrigou" (como tarefa valendo nota) que os alunos deveriam levar, para a universidade cabeças de animais, e disse que, de preferência deveriam ser de cavalos.

Mais uma vez, já estressadíssimo, Null corre atrás de satisfação, dizem que vão
agir, muitos dizem que é absurdo e tudo mais, mas, dessa vez, o único resultado que
Null observou foi o dia em que o professor C.E.A. deu uma bronca enorme na sala
pois muita gente não havia demonstrado interesse em buscar cabeças, e coisa do
tipo e que, o fato de andar de ônibus não era desculpa para não levar uma cabeça,
disse que se fosse para ir para um trabalho ganhar um bom dinheiro, de ônibus, ou
não, todo mundo ia dar um jeito, coisas do tipo, finalizando com "e, houve até um
indivíduo que não vou citar nome, que tentou boicotar e proibir a atividade das
cabeças, a pessoa sabe quem é e, se vc não aceita e não consegue engolir isso,
então desista da veterinária e vá fazer outro curso, porque isso ainda não é nada", e ainda por cima, obriga todos os alunos a abrirem as cabeças para retirarem os
encéfalos, ignorando e contrariando qualquer princípio que um de seus alunos possa
ter contra isso.

A grade de Null disponibiliza menos de 520 horas na área clínica e cirúrgica, porém 846 horas das matérias que descreví acima.

E ainda há quem diga que o curso é de MEDICINA veterinária.

Disseram, para Null também que, uma vez, 44 cavalos da universidade foram "doados" para o abate.

Essa história não tem nenhum dado fictício além do nome Null, todos os personagens são reais e os fatos verídicos, acho que o que há de importante por aqui eu já comentei, de resto, posso dizer que nem mesmo os colegas de Null demonstram muito interesse em mudar a situação.


O coordenador do curso já disse que o curso é assim mesmo e que, eles já abriram a nova unidade com a intenção, pois o curso precisava de uma justificativa para ser aberto e a justificativa, foi formar veterinários voltados para esse setor, que está em crescimento e o mercado precisa de veterinários no setor.

A greve que acontece na USP acho que é a menor das notícias, o pior é saber, que apesar da mobilização,apesar da greve, não houve mobilização sobre isso, não houve ninguém se mobilizando sobre a grade do curso, o sofrimento de Null permance em silêncio.

Eu tinha muita coisa a dizer, porém, como disse, a história é real e os personagens são reais, não tenho com dizer coisas que diria há muito tempo pois estou exausto, não aguento mais e precisava desabafar.

Agradeço a quem foi capaz de ler essa "bíblia", desculpem o tamanho, mas não saberia escrever de outra forma."


Fonte:
Comunidade "Eu respeito os animais...e vc?"
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=44115661&tid=5349016746533491316&na=1&nst=1


A 5ª PATA DO GATO:

Todo esse relato é muito triste.

Estamos vivendo um momento difícil na educação, onde de um lado (ainda pequeno) temos os jovens que tem um ideal e que já na universidade veem esse ideal ser jogado por terra, e são forçados a passar por cima de tudo que pensam, de todos os sentimentos nobres que os levaram a escolher uma carreira como a Medicina Veterinária; e de outro lado, o maior, temos a parte dos jovens que ingressam na carreira errada jpa que, pra mim, Medicina, seja ela de animais ou de humanos se propõe a salvar vidas e não a matar, a maltratatar.....esses jovens talvez tenham um ideal diferente, talvez o verdadeiro ideal deles seja o mercado de trabalho, a oportunidade de ganhar dinheiro numa carreira promissora, e se no caso essa carreira for a Medicina Veterinária, tudo bem, afinal são "só um bando de animais mesmo".


É triste e ao mesmo tempo assustador ler um relato desses, ler a frieza com que as pessoas, os jovens, estão vendo os animais.


Leia também:

Abate de equinos no Brasil >> http://ativismocroft.blogspot.com/2008/11/abate-de-eqinos-no-brasil.html

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EXTRAÇÃO DE PELES, UMA DAS PRÁTICAS MAIS CRUÉIS

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